
“Parabéns para você”. Foi o que cantaram amigos e parentes de Patrick Ferreira de Queiroz pouco antes de seu sepultamento, na tarde deste sábado, no Cemitério do Catumbi. A criança faria 12 anos hoje, e o que era para ser um dia de festa, se tornou um momento de tristeza e luto para a família. Patrick foi morto por um tiro de fuzil disparado pela polícia, durante operação no Complexo do Lins, na quinta-feira.
— Toda esta gente que está aqui hoje iria jogar uma dúzia de ovos na cabeça do meu filho, para comemorar o aniversário dele. Em vez disso, meu filho está recebendo é uma pá de cal — desabafou Daniel Pinheiro de Queiroz, de 48 anos, pai de Patrick: — Revolta eu já não tenho mais. Vou entregar na mão de Deus e procurar os nossos direitos.

Uma vizinha, que não quis se identuificar, contou que moradores do Morro da Cachoeira Grande, onde Patrick foi morto, preparavam uma festa surpresa para ele:
— Iríamos comprar bolo, guaraná... Essas coisas de criança.
Momentos antes de cantarem “Parabéns para você”, o pai pediu que o caixão fosse aberto novamente para olhar para o rosto do filho pela última vez. Amigos e parentes aproveitaram para jogar rosas sobre o corpo, enquanto rezavam e cantavam músicas religiosas.
— Agora nós esperamos que a justiça seja feita — disse Scarlete Ferreira de Queiroz, de 20 anos, irmã de Patrick.

Segundo nota divulgada pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora no dia da morte de Patrick, ele estava com uma pistola, uma mochila com drogas e um rádio transmissor no momento em que foi baleado durante uma troca de tiros. A família contesta a versão.
Policiais da 26ª DP (Todos os Santos) investigam as circunstâncias da morte de Patrick.
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